Adjectivos usados pelos caxineiros para descrever o miúdo Coentrão
Maroto
Malandro
Traquina
Rebelde
Esperto
Teimoso
Humilde
Preguiçoso
Simpático
Popular
Franzino
Guloso
Irrequieto
Vivaço
1 a casa da infância
Foi no número 38 da Travessa Dr. António Bento Martins Júnior, nas Caxinas, Vila do Conde, que Fábio Coentrão viveu até aos 13 anos de idade. E foi também aqui que o jogador fez a cicatriz ainda hoje bem visível no seu rosto. Ao tentar subir um muro alto que existia à frente da casa, Fábio caiu e aterrou com a bochecha direita num ferro de arrastar amêijoa que o pai (pescador) tinha encostado ao muro. Tinha apenas seis anos, e foram precisos alguns pontos e um enxerto de pele para tratar o rasgão.
2 o ringue
Fugir de casa de pijama vestido, biberão e bola nas mãos
Com três anos, Fábio Coentrão fugia, de pijama vestido, para o campo pelado que existia em frente da sua casa. Numa mão levava o biberão com leite, na outra tentava segurar uma bola para brincar. Hoje em dia trata-se de um campo relvado todo bem-posto, pertença da Associação Desportiva Cultural e Recreativa das Caxinas. Mas durante muitos anos foi o rinque para onde todos os miúdos do bairro iam jogar à bola (também por aí andou Hélder Postiga). Fábio passava lá a vida até ir para o Rio Ave.
3 a escola
Vidros partidos e porrada nos colegas
Agora tem piada contar, mas, na altura, professores e funcionários ficavam de cabelos em pé com tanto mau comportamento e travessuras juntos. Ele partia, e voltava a partir, vidros a jogar futebol; ele era preguiçoso nas aulas e fugia de participar nas festas de Natal e fim de ano lectivo; ele andava à porrada com os colegas. "Enervava-se, e ninguém mais o parava", contou Fernando Caseira, funcionário da escola. Andava sempre com uma bola de couro na mão, tinham de lha tirar constantemente. Também brincava ao pião e ao berlinde. Os pais foram várias vezes chamados à escola.
4 a igreja do Senhos dos Navegantes
Para saber se o filho tinha realmente ido à missa, como devia, Josefina perguntava-lhe qual a vestimenta que o padre trazia naquele dia; o puto engasgava-se, mas acabava por se sair airosamente da situação. O jogador foi educado na Igreja Católica e, pelo menos em teoria, foi à missa todos os domingos até cerca dos 13 anos. Muitas vezes a mãe o mandou calar-se durante a eucaristia. Josefina garante que Fábio ainda hoje sabe rezar a ave-maria e o pai-nosso. Da frequência da catequese ficou a lembrança do dia em que fugiu da aula e foi apanhado pelo padre no telhado. Porquê? Estava lá uma bola perdida.
5 a praia das Caxinas
Muitas tardes, Fábio Coentrão passou com os amigos, irmãos e primos na praia das Caxinas a pescar com uma cana. E reza a história que levava sempre peixe para casa, mais do que o pai Bernardino, homem do mar. O facto de se ter tornado profissional de futebol não lhe tirou o gosto pela pesca. Na mesma praia, foi o jogador-revelação da edição 2004 (tinha 15 anos) do torneio que continua a ser organizado todos os anos na areia das Caxinas, a Ocean Cup. No último Verão, até houve jogo de estrelas com uma equipa dos Amigos do Coentrão. O lateral tinha acabado de chegar da África do Sul, mas mesmo assim jogou.
6 o Rio Ave
Esquecer as chuteiras para não treinar
Coentrão entrou nos escalões de formação do Rio Ave com 12 anos. Logo nessa altura ia a pé até ao clube, cerca de meia hora de caminho, que fazia pelo trilho do comboio. O esquerdino amava o futebol, o talento corria-lhe pelas veias, mas tinha de ser tudo à sua maneira. E a mãe, Josefina, conta que, não raras vezes, Fábio fazia por se esquecer das chuteiras em casa para não ter de treinar. Azar. Manuel Gamboa, o técnico, rapidamente se apercebeu da manha do puto e arranjou-lhe um par de botas que ficavam permanentemente no clube. "Ele ficava todo chateado porque tinha de treinar", conta a mãe.
7 casa da adolescência
A cama do craque preguiçoso
Tinha o internacional português 13 anos quando os pais emigraram para França levando dois dos filhos, o António e o Rui. Dado que já se lhe adivinhava futuro no futebol e carreira no Rio Ave - o talento e a raça nasceram-lhe no sangue -, Coentrão ficou em Vila do Conde, entregue à madrinha e tia, Fernanda Serrão. Neste quarto, dormiu até ir para o Benfica e para o Nacional da Madeira. Muitas noites a cochichar com o primo Ricardo e a jogar PlayStation até altas horas, tanto quanto a preguiça de se levantar no dia seguinte para ir treinar. Escola, fê-la só até ao 7º ano. Do registo das entradas e saídas em casa "não constam nem bebedeiras nem namoradas", afiança a tia.
8 o Maximus 16
Ou será número 18?
Que Coentrão vai mudar de clube, isso parece ser certo como o destino. Mas dava jeito que não voltasse a mudar o número da sua camisola. O bar de que é proprietário nas Caxinas, com o seu primo Ricardo, abriu há pouco mais de ano e meio com o nome Maximus 16. Era o número que vestia na altura, depois mudou para o 18, e a denominação do estabelecimento foi atrás. Mudar outra vez seria... de mais. O bar está sempre cheio aos fins-de-semana, tem sessões de "karaoke", noites latinas e... muita gente à procura do craque do Benfica.
Fonte: O Jogo
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